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QUARTO • SOBRE

Me chamo Marina, e sou a 'moradora' desta casa imaginária chamada Atelier Terrarosa.

Ela foi criada em meados de 2016, depois de uma semana que passei na montanha, em uma espécie de retiro solitário. Na época, já trabalhava por conta própria como designer e ilustradora desde 2013, ano em que me demiti do meu último emprego. Porém, mesmo autônoma, ainda teimava em seguir muitos moldes que me haviam sido passados. Sentia que faltava alguma coisa, mas não sabia o que era. 

Por isso fui pro mato, tentar descobrir na quietude o que eu realmente queria, para além do que conhecia como 'trabalho'. Voltei sem muitas certezas... mas certamente mais leve. Da viagem, trouxe um punhado de terra cor-de-rosa, que achei durante minhas andanças. E, algumas semanas depois, aquele punhado de terra deu origem ao nome Terrarosa, com o qual batizei o atelier de design onde, inicialmente, desenvolvia ilustrações e papelaria social.


Porém desde 2016 muito mudou e continua mudando. A criação do Atelier não foi, de maneira nenhuma, um ponto final, mas sim a continuação — e até um catalisador — da jornada de olhar para dentro em que eu havia embarcado; o selar de um comprometimento com um processo profundo de auto-conhecimento, desconstrução e descobertas (que, eu tenho certeza, durará por toda a vida). Com o passar do tempo fui compreendendo que o intuito de ter criado a Terrarosa (e que nem eu sabia na época) sempre foi muito mais profundo do que apenas o trabalho: o que eu fazia e oferecia no atelier nunca foi tão importante quanto como eu fazia.

O tempo me fez compreender que a riqueza maior da Terrarosa, mais do que ser uma marca que vende um produto ou serviço, na verdade sempre esteve em simplesmente ser um conceito; um contexto de espaço amplo e liberdade; a possibilidade de viver a vida que eu almejo e acredito — confiante, fluida e livre. Não é o que eu crio que faz a Terrarosa existir, e sim ela própria é o espaço que me permite criar. Um espaço dentro de mim mesma, um ambiente imaginário onde finalmente me dei permissão para experimentações, e onde me sinto à vontade para fazer e criar alinhada à fluidez de um outro tempo, que não aquele do calendário ou do relógio.

 Gosto de pensar que ao entender isso, simbolicamente estabeleci morada nesta casinha por trás das árvores, com a mente e o coração. E, consequentemente, aos poucos pude abrir suas portas e janelas (emolduradas por glicínias, jasmins e hera), pra que o intuito da Terrarosa se completasse no compartilhar de todas as descobertas que encontrar este espaço já me permitiu e me permite — das mais profundas do ser às mais práticas e banais do dia-a-dia — transformando-a, para além de atelier, em um site, blog e, quem sabe um dia, em um lugar de encontros físicos.

Meu sonho é que a Terrarosa, muito além de ser espaço para mim, inspire — e permita respiros — a quem visitá-la. Com este propósito mais amplo, além de 'moradora', me sinto guardiã e responsável por este espaço, já que, neste âmbito, sua existência extrapola e transcende em muitos níveis a minha própria. ​E pra que ela siga existindo, preciso me manter alinhada com três únicos valores: amor (porque é a base de tudo); presença (que é a luz que dissipa medos de passado e futuro); e fluidez (para poder dar passos livres em qualquer direção).​ Muitos dias falho miseravelmente em mantê-los; mas tenho estes valores como eterno Norte e motivação.

​E os objetos que crio e vendo... são apenas materialização de tudo isso, fruto da liberdade de experimentação que todo este contexto permite. Neste momento, estou em uma fase de criar com tecidos, costurar, tricotar — a criação têxtil sempre esteve nas minhas brincadeiras quando pequena (graças às avós, mãe e tias 'mão na massa'), assim como o desenho. Mas todo o tipo de criação manual tem vez por aqui. Posso contar uma vida inteira dedicada a estudo e experimentação, motivados pelo enorme privilégio de ter tido incentivo, oportunidade e apoio. Sou formada em Moda pela Faculdade Santa Marcelina em SP, trabalhei na área, fiz uma pós-graduação na França e depois ainda trabalhei, de volta ao Brasil, com design gráfico. Tudo isso, além do fato de que sempre fui curiosa — ao longo dos anos também fui aprendendo técnicas por meio da família, de cursos, e de experimentações solitárias — fez com que meu cestinho de repertório de técnicas fosse ficando recheado. A realidade é que não sou expert em nada, a não ser em fazer de tudo; e é exatamente isso que mais amo.

Para fazer as produções, procuro escolher materiais naturais, e, se houver a opção, orgânicos, reciclados, locais e socialmente responsáveis. Obviamente conseguir unir tudo isso ainda é raro, por isso faço o que está ao meu alcance, e, o que me norteia, é algo bem simples: almejar para que tudo o que eu crio possa sumir na terra em alguns anos, caso seja esquecido no mato. 

Pra encerrar a prosa, queria dizer que este é verdadeiramente um lugar de compartilhamento e troca, e eu adoro papear e ajudar quando posso. Se der vontade, não hesite em me escrever pelo e-mail, pela página fale comigo, comentando no blog ou pelo instagram (tenho ficado bastante na conta do herbier também). Porém aviso, pra que você não estranhe: aqui o tempo realmente passa devagar... e eu costumo demorar pra responder.

Espero de verdade que se sinta em casa.

Com carinho, Marina