Aqui o tempo passa devagar...

Este projeto nasceu, precisamente, como uma maneira de reunificar pessoas e tempo; relembrar aquilo que foi perdido em alguma curva do nosso caminho: a confiança espelhada na natureza, que, sábia, reconhece que cada flor tem sua hora de florescer.

Terrarosa é a expressão desta máxima. Uma terra fértil e viva, terreno de possibilidades infinitas; um berço amoroso de criatividade. Nela brota o que o vento – ou a vida – carregar.

Basta regar com amor e um bocado de paciência.

Da semente das ideias, brotam as flores da criação. São flores singelas, simples como aquelas de beira de estrada. Cada um vê nelas o que quer, e, ao mesmo tempo, a si mesmo. São espelhos.

Mas como unir o mundo prático a algo tão sutil? Os prazos existem, as datas, os quereres, as urgências. Bom, talvez tudo isso exista mais em nossa mente, destreinada para aceitar que o controle não é nosso. A resposta é saber dançar a dança do tempo. 

O trabalho proposto aqui é certamente um tanto diferente do usual. É, confesso, uma afronta à correria da qual viramos cegos escravos. Aqui não se faz tudo, pois não há tempo para tudo.

Ainda assim, o que quer se faça, é feito com leveza, de maneira gentil, com respeito. Não há violência contra o tempo – o que não quer dizer que não haja correria, mas até ela tem sua graça, quando permitimos que mãos invisíveis nos conduzam.

Terrarosa é, acima de tudo, um lugar de florescimento, seja ele de ideias, de pessoas, de relações. É terra abundante, que permite; nos lembra da incrível capacidade que possuímos de criar. Promove 

encontros e aprendizados. Aqui, entende-se que não há ponto final, e que importante mesmo é o processo – processo este que ilumina e cura, transforma papel em condutor de bem-aventurança, para onde quer que vá, seja num simples recado de 'obrigada' ou ao estampar na parede um desenho que faça lembrar de respirar.

Afinal, a vida é uma, não é fragmentada. É feita de gente. O trabalho, as amizades, a busca por algo maior – quem é que divide tudo isso? A vida é a vida: abundante, generosa. Ela é em si a jornada e o destino.

Assim lhe desejo boas-vindas a esta terra de tempo sem fim; onde todo florescer é espontâneo, e o vento sussurra, a cada momento, o aqui e agora. 

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