Criei o Atelier Terrarosa em meados de 2016. Ele não é um lugar físico, mas um lugar sutil de experimentação. O fio condutor por aqui é a liberdade de criar e o fazer com as mãos, e isso passa por diversos materiais e técnicas – do papel ao tecido, da ilustração à costura, do tricô ao tingimento natural. Me considero uma criadora-artesã, e também contadora de histórias que ganham vida através daquilo que crio. O Atelier é o cenário, o lugar encantado, onde elas acontecem.

Tudo o que você vê aqui passa pelas minhas mãos – não tenho assistentes, apenas um marido e duas gatas.

Corto, imprimo, ilustro, costuro, respondo emails, vou as correios...

Tento fazer com que todas as criações do Atelier sejam gentis ao máximo com a natureza da qual fazemos parte. Procuro sempre escolher a maneira menos agressiva ao ambiente para fazer aquilo que proponho; mas, já que a perfeição é impossível,  faço o que está ao meu alcance.

 

E apesar do atelier não ser um espaço físico, não quer dizer que não seja possível visitá-lo. É só fazer assim:

Feche os olhos e imagine que a luz dourada do sol de um final de tarde esquenta levemente seu rosto; ao seu redor, está um campo sem fim de flores silvestres, de todas as cores, que sobem acima de seus joelhos e farfalham com a brisa fresca que as acariciam. O zunir que você ouve à distância vem da abelha que está ali na margarida à sua direita. E se você olhar pra baixo, sob seus pés e por entre as flores, lá está ela: terra rosa, cintilando no chão.

​É engraçado como toda jornada nos faz voltar ao ponto de partida.

A minha não é diferente. Começa com uma infância cercada de mato, bicho, terra, horta e fruta no pé no sítio do vô. Os brinquedos preferidos eram o lápis e o papel, e as brincadeiras prediletas, encapar caixinhas, inventar coisas novas, dobrar, cortar, brincar com os tecidos da vó. Sempre tive uma fascinação pelo papel, sempre fiz coisas à mão, sempre vi minha mãe, avós e tias fazerem coisas à mão. Essa ligação com a natureza, com o tempo e com o artesanal veio cedo, mas só há pouco tempo eu entendi a que ponto ela me moldou.
 

Uma certa busca por liberdade sempre esteve comigo, e comecei buscando por ela do lado de fora. Me formei em Moda pela Faculdade Santa Marcelina; depois, morei por dois anos na França; de volta ao Brasil, deixei a moda pra trás e fui trabalhar com design gráfico; quando almejei por uma vida em um ritmo diferente do que um emprego tradicional proporcionava, me tornei autônoma, fazendo um pouco de tudo. Foi também quando ganhei a liberdade da experimentação: aprendi caligrafia e ilustrei a natureza que tanto amava.

 

Mas depois, com o tempo, fui entendendo que a única liberdade que buscava tinha que vir de dentro, das entranhas do coração. Assim, um dia, já autônoma mas ainda perdida entre o que gostaria e o que achava que deveria, me perguntei: se ainda não existe, porque não criar o trabalho que sempre sonhei – algo que me permita ser inteira? Que me permita o respeito ao tempo, e me dê espaço e liberdade? E, afinal, qual o intuito do trabalho senão entregar ao mundo nosso melhor?

 

Assim foi criado em meados de 2016 o Atelier Terrarosa. Ele é o resultado de um sincero olhar para dentro, através do qual vou (re)descobrindo e assumindo uma essência livre e criativa que todos temos, provando que as coisas são bem mais maleáveis do que a gente pensa. Faço de tudo um pouco, permito-me. Decidi que trabalhando assim, com o peito aberto, talvez lembre outros de fazer o mesmo.

Tudo o que você vê aqui passa pelas minhas mãos – o atelier sou eu e as duas gatas. Corto, imprimo, caligrafo, ilustro e crio cada cartão, cada envelope, cada detalhe. O que eu consigo fazer, eu faço; o que não consigo, descubro como. Já as gatas, não ajudam muito, mas são testemunhas de tudo.

Tento fazer com que as criações sejam gentis ao máximo com a natureza que nos cerca e da qual fazemos parte. Procuro escolher a maneira menos agressiva que esteja ao meu alcance para fazer aquilo que proponho; faço o que é possível.

 

Ah, e porque me perguntam sempre: o atelier não é um espaço físico, então, para visitá-lo, só passeando por estas páginas. Ou então, faça assim:

Feche os olhos e imagine que a luz dourada do sol de um final de tarde esquenta levemente seu rosto; ao seu redor, está um campo sem fim de flores silvestres, de todas as cores, que sobem acima de seus joelhos e farfalham com a brisa fresca que as acariciam. O zunir que você ouve à distância vem da abelha que está ali na margarida à sua direita. E se você olhar pra baixo, sob seus pés e por entre as flores, lá está ela: terra rosa, cintilando no chão.

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