Eu sou a Marina, a ‘moradora’ dessa casa imaginária chamada Atelier Terrarosa. Na verdade, mais do que moradora, me considero guardiã e responsável por este lugar, pois sinto que, na verdade, sua existência transcende em muitos níveis a minha própria. 

Para que eu honre este papel de guardiã, não importa o que eu faça, ou o que eu crie; o que preciso mesmo, é estar alinhada com três únicos aspectos: amor, presença e fluidez.

Amor porque esta é a base de tudo;

Presença porque ela é a luz que faz enxergar o que for, sem medo;

Fluidez para que, tendo enxergado com amor, passos podem ser dados de maneira livre, sem rigidez e em qualquer direção.

Sem estes três aspectos, a Terrarosa simplesmente não existe. Mas deixa eu te contar do começo.

A Terrarosa começou como um atelier de design e criação. Foi criado em meados de 2016, depois de uma semana que passei na montanha, em uma espécie de retiro solitário. Na época já trabalhava por conta própria como designer e ilustradora desde 2013, ano em que me demiti do meu último emprego — pois já havia entendido que o mercado de trabalho tradicional, exigente como é, não era pra mim. Porém, mesmo autônoma, ainda sentia que faltava alguma coisa, mas não sabia o que era. Não estava feliz, e não havia nada nem ninguém a quem pudesse culpar por isso. 

Por isso fui pro mato tentar descobrir o que me faria feliz. Voltei sem muitas certezas... mas certamente mais leve. Da viagem, trouxe um punhado de terra cor-de-rosa em um potinho, que achei durante minhas andanças. E, algumas semanas depois, aquele punhado de terra deu origem ao nome Terrarosa.

 

Desde então, o Atelier Terrarosa fez um pouco de tudo — convites de casamento, ilustrações, e outras tantas coisas no universo do design. Mas, a verdade é que pra mim, o que se fazia nunca foi tão importante quanto como se fazia. Quando o criei, imaginei a Terrarosa como um espaço onde eu pudesse ser livre para criar, e acima de tudo, que me permitisse colocar em prática o mundo no qual eu acreditava (e acredito): com liberdade pra ser ser, com acolhimento, com tempo vivido agora e não depois. 

Justamente esta vontade — simples ao mesmo tempo que grandiosa — foi o que me fez nos últimos anos embarcar em uma grande jornada de auto-conhecimento e desconstrução profundas, para poder deixar pra trás camadas e camadas de dúvida, insegurança, medo, e finalmente viver o que acreditava. Por isso digo que o Atelier transcende a Marina por completo: a Terrarosa é o lugar que procurei em muitas coisas, sem nunca encontrar. Nesta busca, acreditei que seu valor estava no que ele oferecia ou fazia. Levou tempo para que eu compreendesse que sua riqueza maior sempre esteve em ser o que era. Essa casinha por trás das árvores é onde eu deveria estabelecer morada com minha mente-coração. Mesmo que eu mesma a tenha desenhado, olha que engraçado: é como se eu só tivesse me permitido entrar e realmente viver nela há pouco tempo.

Assim, o Atelier Terrarosa deixou de ser uma marca para ser um espaço. Porque se tem outra coisa que acredito é que a Terrarosa existe, à sua maneira, em todos nós, e, a maneira como apresento ela aqui é apenas um meio de mostrar como reencontrá-la em si. Agora, abro a casa agora para inspirar e acolher quem quer que se identifique com ela; para dividirmos duvidas; para trilharmos um caminho de confiança e alegria de viver, como espécie humana e não como indivíduo; e para poder compartilhar todas as descobertas que encontrar este espaço já me permitiu e me permite — das mais profundas do ser às mais práticas e banais do dia-a-dia.

Falando da parte prática:

 

Tudo o que você vê aqui passa pelas minhas mãos – fotos, textos, produções... eu amo fazer, e como sempre fui curiosa, ao longo dos anos fui acumulando conhecimento e técnica através de cursos, da família (a minha é toda de mulheres totalmente mão na massa) mas também através de pura experimentação. Não sou expert em nada, a não ser em fazer de tudo, rs. Neste momento, estou em uma fase de voltar a criar com tecidos, costurar, tricotar — e digo 'voltar' pois minha formação é em Moda, e a criação têxtil sempre esteve comigo, desde pequena. 

Não tenho assistentes, apenas um marido (meu companheirão que me ajuda muito) e duas gatas (que mais atrapalham do que ajudam, mas que me alegram demais, então estão sempre perdoadas). Ah, e ainda que pareça, (por enquanto) eu não moro no mato. Moro em São Paulo, cidade onde nasci e cresci.

Para produzir o que tem na loja, procuro sempre escolher materiais naturais, e, quando possível, orgânicos, reciclados, locais e socialmente responsáveis (coisa que no Brasil, infelizmente, ainda é raro, mas estou sempre procurando novas alternativas — e quando as acho, divido por aqui). Mas, faço o que está ao meu alcance, sabendo que perfeição neste quesito é impossível. O que me norteia é algo simples: saber que o que quer que eu produza sumiria na terra em alguns anos, caso fosse esquecido no mato. 

Eu adoro papear e trocar ideias, e ajudar quando posso, então se der vontade, não hesite em me escrever pelo e-mail, pela página fale comigo, comentando no blog ou pelo instagram – ainda que, já aviso, eu demore pra responder... 

Se leu até aqui, te agradeço... e se a gente ainda não se conhecia, muito prazer. Eu espero que goste daqui. Se não gostar, não tem problema também, tá tudo certo. Lembre-se, esse espaço é nosso... e, de verdade, é tudo feito com muito amor e carinho.

atelier terrarosa © 2020